quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Elegância





Recebi há alguns dias no meu e-mail corporativo um desses spams inevitáveis oferecendo um curso completo de etiqueta. 

A proponente prometia tornar-me em poucos dias uma pessoa elegante capaz de frequentar qualquer “roda social” e, como brinde, ainda me forneceria um conjunto de apostilas e filmes ilustrativos sobre como me portar elegantemente.
Minha reação imediata foi rir. Elegância é algo que não se ensina e não se aprende em cursos. É um dom com o qual nascemos e podemos desenvolver no decorrer da vida. Nenhum professor, livro ou universidade me fará elegante nem a você se não cultivarmos com cuidado esse dom.




Os mais famosos modelos do mundo tiveram aulas exaustivas de como se comportar sem que isso lhes garanta terem se tornado pessoas elegantes. Saber portar-se socialmente ou em circunstâncias específicas é saber mascarar-se bem. Elegância não são máscaras. Ela vai muito além de combinar roupas, cores e adereços. Passa distante de saber segurar entre os dedos uma taça de vinho ou um cálice de licor. Destoa da compostura aprumada e estufada do tórax ou da inclinação do queixo e nariz.


Tem mais a ver com o jeito natural de gesticular, de sorrir e de olhar. Olhar... e esse jeito não há nada exterior que nos ensine!


Tem muito a ver com o jeito de cumprimentar, de dirigir-se às pessoas, agradecer. Sejam seus pais, seja o dono da empresa para a qual trabalha ou a telefonista do telemarketing que o(a) pega nas horas mais inesperadas, o frentista, o religioso que toca sua campainha aos domingos pela manhã.


Elegância tem a ver com saber sentar-se no meio das crianças no chão para brincar com elas à altura delas.


É saber usar com cautela o tom de voz; é ter paciência para ouvir um desabafo ou uma confissão; é ter palavras poucas mas sábias para aconselhar; é não usar vocabulário chulo mas saber até em que momento se pode proferir um palavrãozinho inofensivo; é não reclamar das pessoas, do trabalho, da economia, da política, do tempo...


É elegante oferecer-se para auxiliar; ceder o lugar para outras pessoas no transporte coletivo ou em qualquer situação em que alguém possa estar mais cansado embora não queira ou não saiba demonstrar; não furar filas nem querer levar vantagem; não expor desnecessariamente seu conhecimento a quem sabe menos ou mais, não contar vantagens; não interromper nem truncar a fala das outras pessoas; não comparar-se; não julgar.


Elegante é oferecer flores, escrever bilhetes bonitos, enviar e-mails carinhosos. É não fazer nada para chamar a atenção  pois  a elegância, por si, já é motivo para que pessoas sejam observadas.



Elegante é sê-lo desobrigadamente e também saber em que lugares é permitido e possível usar chinelos, roupas soltas, malhadas... saber onde e quando se pode rir gostosamente e quando a seriedade e a precaução se fazem necessárias. É ser alegre, prudente, feliz. É não ser uma pessoa chorona mas saber quando e diante de quem pode e deve chorar.

É elegante não discutir religião mas respeitar todas as crenças. Não debater sobre esporte, porém respeitar todos os direitos de torcer.

Pessoas elegantes são mais belas que as pessoas simplesmente bonitas.