sexta-feira, 8 de novembro de 2013

A repetição nos torna especialistas






O tempo nos ensina que só nos tornamos bons naquilo que repetimos muitas vezes no decorrer da vida. 
É a insistência em algo que nos torna melhores. 
Uma bailarina alcançará a harmonia dos passos e movimentos depois de muitos anos de ensaios árduos, e
mesmo após ter se tornado boa dançarina, quando mais treinar mais hábil será.
Um atleta, digamos um jogador de futebol, para nos referirmos a um esporte bem conhecido de nós,
se não se dedicar aos treinos diários nunca passará de um esportista medíocre, isto é, mediano.
Nós nos especializamos naquilo em que insistimos.
Quanto mais estudamos mais aprendemos a estudar. 
Quanto mais se engana melhor se desenvolve técnicas de ludibriar.
Há pessoas que passam a vida lastimando tanto que acabam ficando especialistas em deplorar. E suas vidas, claro, tornam-se o reflexo da especialidade que escolheram: nunca
estão boas. Como se diz popularmente são vidas que "andam para trás". Pudera, com tanta reclamação!
Há outras que adoram pôr defeito em tudo, ver sempre o lado imperfeito, apontar para o que não deu certo. Tornam-se ótimas nisso. Nem é necessário esforço para imaginarmos que vida terão. Serão angustiadas, pois para elas o mundo todo está errado e, pior, sem solução; é isso o que insistem em ver.
Conheci há algum tempo uma moça que não enxerga como nós. Ela não tem visão através dos olhos. Vê tudo com sensibilidades outras que teve de desenvolver. Para ela, tudo é sempre lindo; o calor é maravilhoso, o frio aconchegante,  a chuva, uma bênção; o canto dos pássaros ou o ruído das ruas lhe soam como música. Praia, cidade ou campo ama com  igual intensidade. Ela está sempre feliz.
Desenvolveu seu estado de graça louvando a vida diariamente, deliciando-se com os raios de sol que não enxerga, mas sente. Desenvolveu a paciência entendendo que nos congestionamentos, ou quando tudo para, aí encontra-se um tempo para meditar ou resolver um problema. Aprendeu que a poluição dos rios, as agressões ao ambiente, o drama ecológico do planeta não são desgraças mas sempre motivos para iniciarmos ações transformadoras. Ela é feliz pois desenvolveu o hábito de ver a felicidade em tudo. Acho que nem sabe exatamente que não enxerga como nós.
E nós, o que temos feito com maior insistência? Quais são os nossos hábitos? Que talentos estamos desenvolvendo?
O que poderemos esperar para nossas vidas? Ou já estaríamos vivendo os resultados daquilo em que mais insistimos?


Gilberto Leite